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Psicologia

O sintomático

Você conhece a “história” do sintomático de Pablo Bernasconi? O cara tinha um problema, brotavam espinhas no seu rosto por qualquer coisa…

“Leve as coisas com calma, Gutierrez. São os nervos!” — lhe dizia o médico, e receitava uma pomadinha.

Com o tempo, as espinhas foram mudando e crescendo, até tomarem a forma do problema que naquele momento atormentava Gutierrez. Se seu time de futebol perdia, nascia uma espinha bem redonda; se ele atrasava com a conta de luz, a espinha soltava um brilho especial; se o problema era com uma mulher, uma espinha em forma de sapato brotava insolente. Quanto mais problema ele tinha, mais espinhas apareciam, mais nervoso ele ficava.

No fim ele gastou todo o seu dinheiro em pomadas e correu deseperado ao médico, procurando um novo conselho.

“Pense o rosto que você nunca mais vai ver porque está escondido embaixo das suas espinhas” — lhe disse o médico.

Uma espinha enorme com forma de cabeça de Gutierrez brotou de repente. E Gutierrez foi contente para casa comer amendoim com chocolate, que era a única coisa que não lhe dava espinhas. Ainda bem que ele não tinha intolerância alimentar não?

Esta é a ilustração perfeita para um sintomático!!

Este autor, o Pablo Bernasconni, escreveu este relato entre outros, com ilustrações inusitadas e divertidas no livro: Excessos e Exageros – Editora Girafinha. Muito bom! Eu recomendo.

Voltando ao sintomático, o cara tem realmente um problema que é de fundo psicológico. São aquelas neuras que enfiamos na cabeça e deixam a gente preocupado… irritado… estressado… o corpo não aguenta tanta pressão e age como uma panela de pressão esvaziando por algum lugar.

O rosto, o corpo, os nossos orgãos, costumam sofrer com o desabafo. A reação é um pedido de socorro… o corpo está expressando alguma coisa.

Quando o Gutierrez começou a pensar em coisas boas, seu cérebro enviou uma nova mensagem, dizendo assim: sai dessa, leva a vida mais na valsa, não estressa tanto… desencana!!!!

É essa a receita, viva a vida com mais suavidade… não tente resolver todos os problemas do mundo ou agradar a todos. Culpa, ira, fazem mal a saúde. Só aceite da vida o que ela pode te dar de bom. O resto recicle!

Reveja seus conceitos e assuma só a parcela de responsabilidade por seus atos e atitudes que dá pra assumir.

Isso não quer dizer que você deve sair por ai chutando o páu da barraca, não é isso, mas não tente resolver todos os problemas, fazer todas as coisas perfeitamente, não seja tão crítico de si mesmo e dos outros, todos erram, inclusive você! Se permita errar, pisar na bola, sem tanta culpa.

Ninguém é perfeito. Você não será um mau caráter por isso. Se fez algo que julgou mau, tente consertar as coisas, peça perdão, peça desculpas… tente não repetir a dose, tente reformar o seu jeito ácido de ser, mas acima de tudo acredite mais nos outros e em si mesmo. Pois é possível errar, é possível perdoar e é possível saber viver sem “espinhas”! Relaxe…

…mas se não te perdoárem ou se não fazem as coisas direito mesmo e você sofre com tanta imperfeição…

Primeiro: se não te perdoarem não é problema seu, o seu problema consiste em não pedir perdão. Pediu, se comprometeu a melhorar, o resto é com o outro, talvez ele esteja sendo muito severo no seu julgamento por raiva, por mágoa… ele também precisa de um tempo para elaborar…

Segundo: encare as imperfeições como exercícios, quanto mais a gente faz, mais vai ficando melhor…é preciso errar muito para acertar um dia, só errando se aprende. Ninguém nasce pronto e perfeito, as coisas em geral são assim, é preciso deixar um espaço para o balanço do vento, para o inusitado, para aquilo que não foi planejado minunciosamente… e namastê.

Ana Lucchi
psicóloga


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