O Tribunal de Justiça do Estado do Pará decidiu, ontem (7), reabrir o caso do assassinato da missionária Dorothy Stang. Em maio de 2008, o fazendeiro Vitalmiro de Moura, o Bida, acusado de mandar matar a missionária, havia sido absolvido pelo Tribunal do Júri. Irmã Dorothy foi assassinada a tiros no município de Anapu (Pará), em 2005.
De acordo com o coordenador do Comitê Dorothy, Dinailson Benassuly, ontem (7), o Tribunal de Justiça do Pará anulou o julgamento do ano passado de Vitalmiro de Moura, no qual o réu foi absolvido após ter exibido um vídeo que o inocentava. Entretanto, o julgamento foi anulado, pois a prova não constava nos autos. Agora, o acusado, que irá novamente a julgamento, já teve a prisão decretada. Segundo Benassuly, Bida ainda está sendo procurado pela polícia.
Além disso, Rayfran das Neves, que já havia sido condenado por atirar na missionária, também será julgado novamente. Dessa vez, o pistoleiro irá a julgamento com o agravante de ter recebido uma recompensa de R$50 mil pelo assassinato da freira. A expectativa é que, agora, Rayfran, que já cumpre pena de 28 anos de prisão, seja condenado por mais tempo.
Para o coordenador do Comitê, essa decisão foi “um marco na luta contra a impunidade e a favor dos direitos humanos”. Apesar de ainda não ter data marcada para o novo julgamento, Benassuly espera que os réus sejam condenados ainda neste ano. Além dos dois acusados, a expectativa é que o fazendeiro Regivaldo Galvão, outro mandante do crime, também seja julgado.
O coordenador comemora a decisão do Tribunal, mas comenta que ainda está aguardando a data e o próprio julgamento. Ele espera que os três acusados sejam condenados e recebam penas maiores. “Ontem foi apenas um passo nessa luta”, afirma.
O caso da irmã Dorothy repercutiu internacionalmente, transformando a missionária num símbolo de resistência e de luta em defesa dos povos amazônicos. A Anistia Internacional afirmou, em comunicado oficial, que a decisão do Tribunal, “oferece uma oportunidade para que seja feita justiça em um estado onde defensores de direitos humanos e ativistas sociais vivem ameaçados”.
Dorothy Stang foi assassinada em 2005, quando atuava na consolidação de projetos agrários sustentáveis na região de Anapu, no Pará. Ela liderou a implantação dos Projetos de Desenvolvimento Sustentável (PDS) na região amazônica, os quais permitiam que as famílias garantissem o sustento sem prejudicar a natureza, contrariando, assim, os interesses de grandes fazendeiros e madeireiras da região.
Fonte: Agência de Informações Frei Tito para a América Latina
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