Na indústria da moda, já existem grifes atentas à tendência que busca melhorar os aspectos sociais e ambientais da cadeia produtiva e valorizar a produção artesanal – e que já foi batizada de slow fashion – um contraponto ao fast fashion, onde toda a cadeia de produção de roupas é terceirizada e não há controle dos processos.
Um exemplo é a Osklen, que tem desenvolvido matérias-primas menos agressivas ao ambiente e que gerem oportunidades de renda para comunidades e pequenos produtores.
“Atualmente utilizamos mais de 20 diferentes categorias de materiais de origem reciclada, orgânica, natural e artesanal, e desenvolvidas por comunidades e cooperativas”, explica Oskar Metsavaht, criador da Osklen. Nessa coleção, a grife produziu acessórios com juta de Castanhal, no Pará – forma de gerar renda no local e evitar o êxodo dos povos ribeirinhos.
Em São Paulo, a marca Éden Organic Style, instalada na Vila Madalena, também apostou no desenvolvimento dos próprios fornecedores de algodão orgânico para dar sustentação à coleção de roupas, que é toda certificada com o selo do Instituto Biodinâmico (IBD).
“Foi um trabalho que durou quatro anos. Começamos com 15 famílias de agricultores, que se dispuseram a produzir de forma orgânica. Hoje são 300”, diz Jorge Yammine, idealizador da marca e cuja família está há 40 anos no ramo têxtil.
Outra frente de batalha é o uso de produtos químicos alternativos – o açúcar, por exemplo, entra como substituto do cloro na lavagem do índigo. “Não precisamos ter uma moda predatória para as pessoas e o meio ambiente. Precisamos de uma moda justa”, comenta Yammine.
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