
Foto: Roney Perez dos Santos e Adriana Mattoso
A Ilha do Cardoso está situada no extremo sul do estado de São Paulo, no município de Cananéia, considerada ilha costeira, onde a União Federal é legitima possuidora. Limita-se ao norte com a Baia de Trapandé, a leste com o Oceano Atlântico, ao Sul com o Oceano Atlântico, Barra e Mar do Ararapira e a Oeste com o Canal do Ararapira, com área de 22.500 hectares. Todo o lado oeste da Ilha do Cardoso integra-se ao sistema estuarino-lagunar.
O Parque Estadual da Ilha do Cardoso abrange um dos mais significativos e complexos remanescentes de ecossistemas de Floresta Atlântica do Brasil. Foi considerado pela Rede Hemisférica de Aves Playeras (RHAP – USA) uma das três regiões na América do Sul que apresenta a maior diversidade de aves limícolas (Blanco & Canevari 1992). Também é considerada uma das duas áreas que apresenta a maior concentração de espécies de aves ameaçadas da região neotropical (Wege and Long 1995), por concentrar em seus domínios uma alta diversidade de espécies de aves ameaçadas de extinção e ou raras (Collar et al.), portanto o PEIC deve ser tratado como região prioritária para o estabelecimento de estratégias de conservação.
A cultura caiçara e a história do PEIC não são menos importantes. Inúmeros sítios arqueológicos denominados sambaquis provam a passagem humana pela Ilha há cerca de 6000 anos. Além destes, há ruínas que testemunham sua ocupação desde o período colonial, época em que a Ilha abrigava mais moradores do que a própria sede do município de Cananéia.
Até a década de 1960 esses moradores praticavam a roça de subsistência, sob influência indígena, utilizando o método de corte-queima-pousio para o plantio de mandioca (com a qual fazia-se farinha destinada à comercialização) e outros produtos voltados ao consumo familiar.
Atualmente são poucas as famílias que praticam a agricultura, mas as festas que acompanhavam o processo de plantio naquela época, chamadas pelos caiçaras de “mutirões”, continuam acontecendo, recheadas de muita música e dança regional: o fandango. A administração do Parque incentiva esse tipo de evento, uma vez que, além de auxiliar no resgate cultural dessas comunidades, atrai diversos turistas que vêem ao Parque em busca, não apenas das belezas naturais, mas também desses eventos regionais.
É com base na legislação vigente que no PEIC, os moradores auxiliam a direção do Parque no estabelecimento das normas que regem o uso público nessa Unidade de Conservação. Além disso, o Plano de Manejo do PEIC prevê também a execução de projetos que visem a melhoria das condições de vida para essas pessoas.
Fonte: São Paulo (1998). Plano de Gestão Ambiental – fase 1 do Parque Estadual Ilha do Cardoso.
Da Secretaria do Meio Ambiente