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A violência mata o amor – Usando a cultura pop para prevenir a violência entre casais jovens na América Latina e Caribe

Cidade do México – Há um longo caminho entre o glamuroso mundo do estrelato pop e o decididamente nada glamuroso mundo da violência contra mulheres. Há mesmo? Gabriela “Gaby” Villalba (24) e Barbara “Barbie” Sepulveda (20), as integrantes mulheres da banda chilena Kudai pensam que talvez não.

A banda, atualmente sediada na Cidade do México, é imensamente popular entre adolescentes de toda a América Latina. Seus integrantes estão determinados a mostrar que não estão a fim de “perfumaria”. Eles querem usar sua música e seus vídeos para focar em questões como alcoolismo, discriminação e, mais recentemente, violência entre casais jovens.

“Estas são coisas com as quais nossos amigos e nossos fãs se preocupam. Há muito silêncio sobre essas questões e queremos que as pessoas acordem para o fato de que não está certo gritar com sua parceira, ou abusar dela de qualquer maneira – isso não é normal”, diz Barbie.

Mas será que os adolescentes realmente querem tratar de assuntos tão pesados? “Acho que não devíamos subestimar nossos fãs”, afirmou Gaby. “É importante para as vítimas da violência saber que não estão loucas nem sozinhas”.

Unindo-se para criar uma campanha de impacto

É por isso que a banda se uniu ao UNFPA, o Fundo de População das Nações Unidas, para ajudar pessoas jovens a identificar abusos em um relacionamento e a reconhecer que isso não é nem aceitável nem tolerável.

Uma nova campanha regional comandada pela banda Kudai e pelo UNFPA se intitula “A violência mata o amor. Acabe com isso”! A campanha visa educar pessoas jovens sobre violência de gênero e mudar de fato as normas culturais que toleram esse tipo de comportamento. Em cooperação com o UNFPA, a banda está desenvolvendo um site no qual as pessoas jovens podem obter informações sobre abuso e realizar testes que apontam sinais indicativos de uma relação abusiva.

Outro elemento da campanha é uma série de spots de TV de 30 segundos nos quais os integrantes da banda fazem perguntas para ajudar a identificar formas de abuso. Nos spots, os integrantes da banda fazem perguntas como: “Seu parceiro ou sua parceira já teve ciúmes de seus amigos, colegas ou familiares”? “Seu parceiro ou sua parceira já te pressionou para fazer dieta”? “Ele ou ela já te deu uma ‘gelada’”?

O mais novo single da banda “Morrer de Amor” é sobre um relacionamento marcado pela violência. Os jovens músicos vão usar a canção e sua mensagem para militar pela prevenção da violência, tanto diretamente com seu público quanto em entrevistas com a mídia durante seu tour pela região este ano.

Compromisso com causas sociais

A cooperação com o UNFPA veio depois que o gerente da banda, Pablo Vega entrou em contato com a Representante do UNFPA na Guatemala, Nadine Gasman. “Nós [do UNFPA e do Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos] convidamos Kudai para fazer uma performance gratuita na Cidade da Guatemala em comemoração ao 60º. Aniversário da Declaração dos Direitos Humanos. Sentamos para falar sobre o trabalho do UNFPA e acabamos decidindo começar uma campanha juntos”, conta Gasman.

“Não somos especialistas nessas questões, então precisamos de orientação sobre como tratar o assunto”, explicou Vega, enfatizando que a banda está determinada a devotar parte de seu trabalho a causas sociais.

No México, Kudai e UNFPA uniram forças com o Instituto Mexicano da Juventude, uma instituição governamental que trabalha para melhorar a situação das pessoas jovens. A campanha inclui programas de sensibilização em escolas públicas de 10 estados mexicanos e o estabelecimento de uma hotline por meio da qual os jovens podem obter gratuitamente mais informações sobre relacionamentos abusivos. Eles também podem enviar e receber mensagens de texto e participar de um fórum sobre o mesmo tópico.

Além disso, haverá uma campanha informativa em grandes meios de comunicação sobre esse tipo de abuso.

Tolerância zero em relação a todas as formas de violência contra mulheres

O UNFPA trabalha com adolescentes e pessoas jovens para promover melhores condições de saúde, incluindo a garantia do acesso a informações sobre saúde sexual e reprodutiva, educação, serviços e insumos; assim como para defender os direitos das pessoas jovens, especialmente meninas e grupos marginalizados, de modo que possam crescer saudáveis e em segurança, e recebam uma porção justa dos investimentos sociais.

As razões subjacentes à violência contra mulheres muitas vezes está profundamente enraizada nas desigualdades de gênero nas sociedades. Diferentes tipos de violência vivenciados por adolescentes do sexo feminino incluem violência em encontros e durante o namoro, sexo coagido por questões econômicas, abuso sexual no ambiente de trabalho, estupro, assédio sexual e trabalho sexual forçado.

Em resposta a estes problemas, o UNFPA defende a reforma legislativa e a implementação de leis que protejam os direitos das mulheres, além de capacitar profissionais da área da saúde para lidar com a questão. O Fundo promove a tolerância zero em relação a todas as formas de violência contra mulheres.

Trygve Olfarnes

Formas de violência e maneiras de identificar abusos

A violência pode ter efeitos profundos – diretos e indiretos – sobre a saúde reprodutiva das mulheres, incluindo:

  • Gestações não desejadas e acesso restrito a informações sobre planejamento familiar e contracepção;
  • Interrupção da gravidez em condições inseguras e ferimentos decorrentes de abortos legais, depois de uma gestação não desejada;
  • Complicações de gestações freqüentes e de alto risco, e falta de cuidados e acompanhamento;
  • Infecções sexualmente transmitidas, incluindo o HIV;
  • Problemas ginecológicos persistentes;
  • Problemas psicológicos.

12 chaves para identificar abusos em um relacionamento:

  • Ele/Ela tem ciúme dos seus amigos, colegas ou familiares?
  • Ela/Ele insiste em saber com quem você emprega seu tempo?
  • Ele/Ela costuma ter acessos de raiva?
  • Ela/Ele já te deu uma “gelada”?
  • Ele/Ela já te forçou a fazer dieta ou exercícios?
  • Ela/Ele já ameaçou suicidar-se?
  • Ele/Ela já te amedrontou com suas reações?
  • Ela/Ele já te atacou fisicamente: empurrou, bateu, arranhou ou esmurrou?
  • Ele/Ela já vasculhou seus objetos pessoais, seu diário ou e-mail para “saber a verdade”?
  • Ela/Ele já ameçou te deixar?
  • Ele/Ela já te tocou, beijou ou acariciou sem sua permissão?
  • Ela/Ele já te pressionou a fazer sexo?

Fonte:www.unfpa.org.br


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