Foto Ecoturismo Mata Atlântica- Roney Perez dos Santos e Adriana Mattoso
O Parque Estadual Carlos Botelho (PECB) foi criado pelo decreto 19.499 de 1982 em áreas de antigas reservas florestais. Com 37.644 hectares, abrange parte dos municípios de São Miguel Arcanjo, Capão Bonito, Tapiraí e Sete Barras. Situa-se em região de fácil acesso, a cerca de 200 km da capital.
Devido à sua importância ambiental, histórica e cultural, a região sudeste da MataAtlântica, onde está inserido o Parque, recebeu da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), em 1998, o título de “Sítio de Patrimônio Mundial da Humanidade”.
Neste Parque, que abriga os remanescentes de floresta tropical mais bem preservados do Brasil, são
desenvolvidas atividades voltadas para a pesquisa científica, educação ambiental, ecoturismo e fiscalização.
Em seu interior, encontram-se belíssimos rios e cachoeiras, além de animais seriamente ameaçados de
extinção, como o mono-carvoeiro (Brachyteles arachnoides) maior primata das Américas -, a jacutinga (Pipile jacutinga), a onça-pintada (Phantera onça), além de espécies vegetais, como o palmito juçara (Euterpe edulis).
O PECB está aberto à visitação diariamente, das 08h00 às 17h00. O acesso à sede do Parque é feito pela Rod. Francisco José Ayub (SP-264). Visitas podem ser agendadas pelo telefone (13) 3822-1714 ou pelo e-mail pe.carlosbotelho@fflorestal.sp.gov.br.
O Parque Estadual Intervales está localizado nas regiões do Vale do Ribeira e Alto Paranapanema, no sudoeste do Estado de São Paulo.
Criado em 1995, abrange uma área de cerca de 41.700 hectares, nos municípios de Ribeirão Grande, Guapiara, Sete Barras, Iporanga e Eldorado. O PEI integra o Contínuo Ecológico de Paranapiacaba, juntamente com o Parque Estadual Carlos Botelho, o PETARe a Estação Ecológica de Xitué.
O Parque Estadual Intervales possui rico patrimônio espeleológico, formado por dezenas de cavernas. Na área ainda há sítios arqueológicos de grande valor. Em seu entorno vivem diversas comunidades tradicionais, como remanescentes de quilombos, caiçaras (oriundos de Cananéia) e ribeirinhos, cada qual interagindo com o parque com suas tradições e modo de vida peculiar.
O PEI possui duas áreas de visitação: a região da sede do parque, no Alto Paranapanema, um destino
ecoturístico já consolidado, que oferece, também, uma boa estrutura de hospedagem e alimentação; e o Núcleo Quilombo, no Vale do Ribeira. O parque está aberto para visitação diariamente, das 8h00 às 17h00. Não é preciso agendar a visita para grupos pequenos, e no local há monitores disponíveis para acompanhar os visitantes nas trilhas.
O Parque Intervales dispõe de cerca de 20 atrativos abertos à visitação, entre cachoeiras, grutas, mirantes e trilhas cercadas de mata exuberante e aves de variadas espécies. É possível, por meio de agendamento prévio, se hospedaremuma das quatro pousadas do parque.
As trilhas, em sua maioria, devem ser acompanhadas por guia local, em grupos com tamanho máximo entre 5 e 8 pessoas. Para todas as trilhas o visitante deve utilizar roupas leves e de proteção, como calça comprida, tênis e camiseta, além de levar água, repelente, protetor solar e lanche.
Aconselha-se levar roupa de banho por baixo da vestimenta, no caso de visita a cachoeiras. Para visitas às grutas e cavernas deve-se levar uma lanterna e utilizar capacete de proteção fornecido pelo parque.
O parque ainda possui algumas estruturas de lazer, como piscina natural e campo de futebol, além de restaurante com comida caseira. Há uma taxa de entrada no parque, cobrada apenas dos visitantes não hospedados. O contato para maiores informações e agendamento é (15) 3542-1511.
Como chegar: O acesso ao parque pode ser feito pela Rodovia SP-181, que
pode ser acessada, a partir da SP-127, na altura do município de Capão Bonito. Visitantes da cidade de São Paulo podem utilizar a Rodovia Castello Branco, até o município deTatuí, para chegar até à SP-127.
Preços: Adiária em uma pousada do parque varia entre R$ 20,00 e R$ 35,00.
Cobra-se R$ 15,00 pela refeição (almoço ou jantar) e R$ 7,00 pelo café-damanhã.
Qualquer atividade de monitoria custa R$ 6,00 por pessoa (hóspedes) ou R$ 50,00 meio período de monitoria (não-hóspedes). A taxa de entrada no parque é R$ 3,00.
O Parque Estadual Carlos Botelho (PECB) o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) e o Parque Estadual Intervales, em associação com a Estação Ecológica Xitué (EEcX), a Zona de Vida Silvestre da Área de Proteção Ambiental da Serra do Mar e a zona núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, compõem o chamado continuum ecológico de Paranapiacaba, com mais de 120.000 ha.
Estas unidades de conservação, reunidas, representam uma das áreas mais significativas dos remanescentes florestais do Estado de São Paulo, pelo seu ótimo estado de conservação e por abrigar inúmeras espécies vegetais e animais, inclusive ameaçadas de extinção, tais como a onça-pintada Panthera onca e o muriqui ou mono-carvoeiro Brachyteles arachnoides, bem como espécies endêmicas, tais como o pica-pau-de-crista-vermelha Dryocopus galeatus e a Aegla leptpchela, um crustáceo que vive em cavernas.
Do ponto de vista geológico, a lente calcária que caracteriza importante parte do PETAR estende-se até Intervales, permitindo a existência de centenas de cavernas nos parques: são mais de 300 no PETAR e cerca de 50, algumas contendo raridades em formações e espécies animais características.
Os parques estendem-se pelos territórios de cinco municípios: Ribeirão Grande, Guapiara, Capão Bonito, São Miguel Arcanjo, Tapiraí, Iporanga, Apiaí, Eldorado Paulista e Sete Barras.
As grandes dificuldades para a ocupação humana no Sudoeste Paulista, que persistiram durante muito tempo, impediram uma maior devastação das florestas da região, resultando nos remanescentes florestais que compõem as unidades de conservação e algumas grandes propriedades particulares. A topografia acidentada, o clima característico de chuvas abundantes e a presença da mata densa, aliados a uma carência de infra-estrutura básica (estradas, meios de comunicação, assistência social e outras necessidades dos aglomerados humanos, que por sua vez só se estabelecem quando as condições de ocupação são favoráveis), mantiveram estas áreas ocupadas por um número restrito de pequenos proprietários, posseiros e grileiros, que chegaram à região a partir de meados do século XVI.
A ocupação da serra de Paranapiacaba foi lenta até o início do século XX. Atualmente o Sudoeste Paulista é densamente povoado e pouco restou de suas matas. Por isso os remanescentes de floresta tornaram-se particularmente importantes. A acentuada carência social é muito marcante, valendo inclusive à região o triste título de “ramal da fome”, quando relacionada à Estrada de Ferro Sorocabana, que foi referência de transporte para a região durante muitos anos.
A face do Vale do Ribeira manteve-se muito melhor conservada do ponto de vista ambiental, mas da mesma forma bastante carente do ponto de vista social. Assim, todo o continuum ecológico de Paranapiacaba pode (e deve) ter um papel de destaque na discussão sobre o desenvolvimento sustentado e a qualidade de vida para ambas as regiões.
Fonte: São Paulo (1988). Plano de Gestão Ambiental – fase 1 do Parque Estadual Intervales Da Secretaria do Meio Ambiente