Arthur Simões chega ao final de sua jornada ao redor da Terra no mesmo local onde iniciou a três anos, no Monumento às Bandeiras, Parque do Ibirapuera.
Monumento às Bandeiras, Parque do Ibirapuera, cidade de São Paulo, local que marcou o início da jornada ao redor do mundo no dia 03 de abril de 2006. Após três anos de Pedal na Estrada, Arthur Simões Cardoso, chegou ao final de sua trajetória no dia 23 de maio, sábado, no mesmo local onde iniciou a viagem. Arthur, conclui com sucesso o projeto de aventura, esporte e educação à distância o Pedal na Estrada (www.pedalnaestrada.com.br) em que percorreu 46 países (superando a metal inicial de 28 países), cinco continentes, mais de 35.000km, completando três anos de jornada ao redor da terra e tudo sobre uma bicicleta.
O retorno em terras brasileiras – Para finalizar estes últimos 2000 quilômetros de Pedal na Estrada, em terras brasileiras, Arthur desembarcou em Salvador/BA dia 28 de abril e seguiu pedalando pelo litoral brasileiro, passou pelas cidades de Vitória/ES, Rio de Janeiro/RJ e prosseguiu para São Paulo, cidade que o aguardou ansiedade a sua chegada que se deu no dia 23 de maio, sábado as 15h00, no Monumento às Bandeiras, Parque do Ibirapuera
Projeto Social – Com a união da aventura, esporte e projeto social, surgiu o Pedal na Estrada, cujo enfoque principal é a educação, cultura e conscientização sobre o mundo em que vivemos atualmente, com um enfoque na saúde pública dos países.. Através de parcerias com colégios, escolas, ONGs e instituições de ensino, o Pedal na Estrada tornou-se uma fonte de informação para estudantes de todo o Brasil e até no exterior. Arthur registrou histórias, costumes e curiosidades locais através de textos, imagens e vídeos, que são encontrados na web site do Pedal Na Estrada. “Consegui concretizar o maior objetivo do Pedal na Estrada, mostrando aos estudantes uma nova forma de ver o mundo e de aprender com ele, encorajando todos a tomarem uma postura ativa e de descoberta sobre seus objetivos de vida”, afirma Arthur.
O ciclista – Arthur Simões Cardoso – brasileiro, 27 anos, natural da cidade de São José dos Campos/SP passou a adolescência em Jacareí, no interior do estado de São Paulo. Graduado em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, liderou o grupo de Projetos Sociais, levando educação e conhecimentos jurídicos para a população dos bairros mais afastados e menos beneficiados da cidade de São Paulo. Foi também praticante e professor de ioga. A paixão pelo ciclismo tomou proporções maiores, que o fez ganhar a mundo, transformar o ciclismo em profissão e agora no Pedal na Estrada.
Veja a entrevista no Almanaque do Adolescente com o Arthur Simões
Por que a volta ao mundo?
E por que não o mundo? Por que não ir mais longe? Queria mostrar que o mundo está aí para ser conhecido, todos os continentes, além de mostrar que é possível fazer isso sobre uma bicicleta.
Como se comunicou com a família?
A comunicação com minha família não era constante e variava de país para país. Geralmente eu falava com eles por e-mail, algo como um ou dois e-mails por semana, ou mais se a situação fosse crítica. Por mais de um ano de viagem eu não tinha telefone algum, assim toda vez que eu queria falar com eles tinha que encontrar um telefone. Minha situação apenas mudou na Malásia quando me deram um telefone celular e então eu passei a ter um número telefônico em alguns países e a comunicação ficou mais fácil, pois minha família já podia me ligar e eu não precisava ficar procurando uma casa de telefone (já que nos países mais pobres quase nunca existe telefone público). Na Europa eu fiquei sem telefone novamente, pois trocava de país quase que a cada semana e não valia a pena trocar de número de telefone tão constantemente, assim a comunicação voltou a ser basicamente por e-mail.
Como você lidou com os momentos de solidão? Continuou praticando o Yoga?
Eu apenas aceitava que estava sozinho e aproveitava o momento. Nem sempre temos a oportunidade de estarmos sozinho e quando a temos é melhor aproveitar. Estar sozinho pode ser bom também, tão bom quanto estar acompanhado, é apenas diferente. Eu busco encarar por esta perspectiva. Quando sozinho curtir a solidão e quando com mais gente, aproveitar a companhia. Algo como viver cada momento, um de cada vez, em seu momento.
O yoga acabou ficando um pouco de lado nesta viagem. Não perdi o que eu já havia aprendido, porém não consegui manter a disciplina que eu tinha quando estava no Brasil, já que quase sempre tinha muito que fazer em cada país e quando eu tinha um tempo livre, queria apenas dormir e descansar.
Conte-nos sobre de alguns de seus aprendizados, coisas que marcaram a sua vida neste tempo.
Por um bom tempo, por mais de dois anos, foi bem difícil ver o que eu havia aprendido, mas agora já beirando os três anos de viagem e chegando ao fim de minha aventura, eu começo a ver o que eu adquiri neste tempo. Talvez o maior aprendizado, foi descobrir que eu não tenho controle de nada, de nada mesmo. Isso mostra como a vida é grande e como tudo pode acontecer e mudar planos e projetos em questão de segundos. Creio que ter visto a morte de perto também ajudou a mudou a perspectiva sobre a vida, a morte não parece mais tão distante, tornou-se algo concreto que pode chegar a qualquer momento, por isso é melhor viver aquilo que se deseja antes que seja tarde demais.
Falando sobre política, religião e guerras, o que sentiu pessoalmente vendo tudo isso de perto?
A política é um jogo. Os políticos são os jogadores e jogam com a população. No final das contas, a política não é feita para as pessoas, mas sim para as grandes corporações espalhadas pelo mundo. Apenas as migalhas ficam para a população. As guerras são consequência das jogadas mal feitas dentro do mundo da política. Hoje tudo gira em torno da economia, inclusive as guerras. Mais uma vez quem sofre são aqueles que não têm nada a ver com os motivos da guerra.
Todas as religiões costumam tratar do mesmo assunto, pois lidam com a natureza do ser humano, que é semelhante em todo o mundo. O que muda são apenas as histórias e as regras, e quando as pessoas olharam apenas para as regras (que por sua vez não é a religião) e as comparam, acreditam que as religiões sejam diferentes – e que a religião dela é a melhor e mais correta.
No final das contas, concluí que o mundo é composto de seres humanos que são semelhantes por natureza, independente de política, raça, religião ou qualquer outra coisa, isso é o mais importante. A história mostra isso e a mitologia também, o que explica o porquê de mitos semelhantes em diferentes partes do mundo em épocas remotas.
Como foi a sua entrada nos países? Teve barreiras?
Eu nunca vi barreiras intransponíveis em meu caminho. Em alguns países apenas se chega na fronteira e eles carimbam seu passaporte sem problema algum, outro já gostam de papeis, muitos papeis, e toda esta burocracia pede um pouco mais de tempo e dinheiro, mas não impede alguém de entrar no país (pelo menos brasileiro). Arrisco a dizer que a maior complicação que se pode ter é ter um carimbo de Israel em seu passaporte, o que te impedirá de entrar em qualquer país muçulmano, já que a maioria deles não reconhece o Estado de Israel. Assim, ao entrar em Israel eu tive que ter muito cuidado para não ter meu passaporte carimbado, caso contrário teria que dizer adeus aos meus próximos países, no caso, Síria e Líbano.
Qual a reação das pessoas ao saber que estava dando a volta ao mundo de bike? E que era brasileiro?
As reações eram diversas. A maioria das pessoas ficava impressionada, queria saber mais, chamava os amigos e queria fazer alguma coisa para me ajudar ou agradar, como uma forma de entrar nesta história. Alguns apenas me davam os parabéns. Outros nem ligavam. E ainda havia alguns que ficavam bravos, pensando que eu estava mentindo, pois achavam que isto era simplesmente impossível, como aconteceu na Turquia.
Em relação a ser brasileiro, isso sempre foi uma vantagem. Com exceção de pouquíssimos países, o Brasil costuma ser visto como um lugar feliz, onde todos jogam futebol, onde todos tomam café, onde todas as mulheres andam pelas ruas com roupas de carnaval e onde o sexo é livre. Um estereótipo curioso, mas que geralmente costuma agradar as pessoas.
Que perguntas ou curiosidades as pessoas tem do Brasil?
“Você é brasileiro? mas você é branco!”, “Brasil, sabe, uma vez eu vi um filme, chamava… Cidade de Deus, aquilo é verdade?”
Até explicar para o sujeito que no Brasil não há apenas negros, mas que temos italianos, japoneses, sírios, libaneses, alemães etc.. toma um tempo. Comentar sobre a violência brasileira também gerava boas conversas. Fora isso as pessoas costumavam ficar com os clássicos clichês brasileiros.
Encontrou pessoas que te ajudaram? Qual foi o tipo de ajuda?
Muita gente me ajudou e se não fosse por essas pessoas a viagem seria muito mais difícil. Gente me deu comida, água, casa, banho, cuidou de mim quando eu estava doente, me traduziu quando eu não entendia nada e quando ninguém me entendia, me alertou sobre os perigos, enfim, muita gente fez com que eu chegasse onde cheguei. Confesso que sem essas pessoas, sem esse altruísmo humano, eu não iria muito longe. O mundo é formado basicamente por gente boa, disposta a ajudar, não o contrário.
E a sua saúde, sofreu algum tipo de doença, enfermidade? Qual?
Apesar de eu saber que ficar doente seria inevitável, eu acabei adoecendo mais do que eu imaginava, quase sempre pelo mesmo motivo: comida + sujeira. A falta de higiene dos países mais pobres pode ser um problema. E para essa sujeira não adianta lavar a mão ou limpar tudo com álcool e fogo (só se colocar fogo em tudo), pois não é a sua mão que te infecta, mas sim a mão dos outros. Na realidade, em certos países, toda a população está infectada com bactérias e fugir delas é quase impossível.
Dentre as infecções que eu sofri, as piores foram proporcionadas por um pequeno ser chamado “ameba”, um protozoário que me causou muito problema e por vezes quase não me deixou pedalar. A cura é fácil, mas a dor de cabeça e de barriga é grande.
Qual foi a sua maior dificuldade? Local para dormir? Comida? Sentiu fome ou sede?
A maior dificuldade é ficar sozinho durante tanto tempo. O ser humano é um animal social e ficar sem uma relação mais profunda por tanto tempo gera um problema. Os outros problemas eram menores e mais fáceis de superar também. Local para dormir sempre se consegue, com ou sem dinheiro, depende do que se deseja, na pior das hipóteses eu apenas montava minha barraca e já tinha um lugar para dormir. Ficar sem banho por alguns dias também podia ser um problema, especialmente durante o verão, mas isso também era contornável.
Comida por vezes se tornava um problema, já que na maior parte do mundo supermercado é algo que não existe e encontrar o que se quer é quase impossível. Como o país pobre quase não tem energia elétrica, tudo aquilo que precisa ser resfriado também não existe.
Sim, eu senti fome e sede, mas não sofri muito por isso. Acabava comendo o que encontrava e bebendo o que aparecia, o que explica o porque eu fiquei doente algumas vezes.
Você faria tudo isso novamente?
Depende. Agora, depois de ter feito isso, creio que não faria isso pela segunda vez, pelo menos não de bicicleta. Mas se eu estivesse de volta há três anos, quando eu decidi fazer isso, eu tomaria a mesma decisão com certeza, sem pensar. Daria a volta ao mundo de bicicleta mesmo sabendo de todas as dificuldades.
Encontrou com outros ciclistas ou pessoas que queriam dar a volta ao mundo também?
Ciclistas são fáceis de encontrar, não em todos os cantos do mundo, mas existe bastante gente viajando de bicicleta. A diferença é que quase nunca eles estão sozinhos, assim como quase nunca eles viajam por muito tempo ou por muitos países. As maiores partes dos ciclistas que eu encontrei viajam em grupos e por um período não muito longo. De toda forma, eu também encontrei gente fazendo o que eu estou fazendo, mas foram poucos. Querer dar a volta ao mundo já é diferente, muita gente quer fazer isso, mas pouca gente faz.
O que contribuiu para o sucesso da sua jornada? (apoio, amigos, força pessoal etc.). Explique isso, por favor.
Há uma série de fatores sem os quais eu não poderia fazer o que eu fiz. Começo pela sorte, pois eu me considero uma pessoa de sorte e isso me ajudou estar no lugar certo, na hora certa, por diversas vezes. Por vezes sentia que havia uma “mão invisível” me ajudando, tamanha era a minha sorte. Mas não foi só isso, amigos e a família também tiveram um papel fundamental em minha conquista, apesar de quase sempre bastante longe. Força de vontade foi um requisito, pois já fazia parte da minha viagem desde o princípio, creio que sem isso eu nem teria conseguido sair do Brasil.
Ao visitar povoados e ONGs o que percebeu sobre as necessidades das pessoas nos diversos países? As dificuldades se diferem ou são as mesmas? Em quais continentes sentiu mais necessidade de proteção e ajuda?
As visitas às comunidades e as ONGs foram uma constante nesta viagem e me mostraram muito sobre a gente de cada local, especialmente sobre as dificuldades passadas por essas pessoas. Isso por vezes foi bastante difícil para mim, já que por vezes me encontrava completamente imerso naquela cultura e sem nada para me apoiar numa possível emergência. O emocional fica bastante delicado quando se está numa situação assim, e vir toda aquela gente sofrendo sem poder fazer muito e sabendo que nada irá mudar tão cedo para eles, me fazia sentir mal. Com o tempo aprendi a ver a vida de outra forma, mais próximo do jeito que essa gente vê, e consegui suportar melhor esse peso.
Conheci muita gente doente, gente que havia perdido tudo devido à desastre naturais, gente que já nem esperança tinha mais. Porém aprendi que a vida nestes países não está difícil agora, ela é difícil desde sempre, assim que toda essa gente não espera muito da vida, como nós fazemos, eles apenas vivem e morrem na hora que tiver que ser. A vida ganha uma cara diferente, a morte chega mais perto e o destino parece ser mesmo inevitável.
As dificuldades mudam de país para país, mas quase sempre estão relacionados ao comportamento das próprias pessoas do local e da postura do governo do país. As piores situações que eu encontrei estavam na África. Os africanos costumam ser gente amiga e pacífica, porém as condições de vida desses países costumam ser precárias.
O Que mais te magoou nesta viagem?
Foi ver pessoas pagando por erros que nunca cometeram. Como no Irã e em Mianmar, onde encontrei gente maravilhosa, que sofria com o próprio governo, sem a possibilidade de fazer muita coisa.
Cite um fato que fez você pensar na sua vida, ou de como está conduzindo ela.
Os dois acidentes de carro que sofri nesta viagem me fizeram parar e pensar um pouco no perigo que eu estava exposto na estrada. O segundo acidente foi o pior, mesmo assim não parei. Algumas vezes eu refletia sobre os perigos que estava enfrentando (quase que todos os dias) em zonas de risco, estradas perigosas, mas ao mesmo tempo eu sabia que tudo terminaria bem e que, eu estava disposto a terminar o que eu havia começado, com risco ou sem risco.
Muita gente me perguntou se eu me questionava sobre o que eu estava fazendo, se eu havia me arrependido do que estava fazendo. Eu sempre disse a verdade: não. Eu sempre tive certeza de que eu tinha que estar onde estava naquele momento. Vivia um momento de cada vez e assim não tinha como fazer algo errado, pois tudo apenas era como tinha que ser.
Cite fatos que o emocionaram
Creio que a imagem mais forte que me impactou aconteceu quando eu estava na Indonésia, na cidade de Jakarta. Já não estava muito à vontade naquele país, já que a pobreza era grande, a miséria generalizada e as pessoas, nem sempre de boa índole. Confesso que quando eu cheguei a Jakarta, já com dois meses de Indonésia, estava um pouco cansado daquele país e especialmente por ver cenas as quais me jogavam na cara que a vida do ser humano não tinha valor algum. Foi assim já cansado e querendo deixar o país o mais breve possível que eu pedalando pelas ruas da periferia de Jakarta vi uma senhora chorando e berrando por ajuda, enquanto carregava um corpo nu e raquítico de uma criança já inanimada em seus braços. Imaginei que a criança deveria ser seu filho. Ela correu para o meio de uma avenida movimentada, onde os carros estavam parados devido ao congestionamento das seis horas da tarde. As pessoas nem deram atenção para ela e nem a escutaram gritar. O policial que estava na rua a observou por poucos segundos e continuou a movimentar o trânsito. Eu fiquei estático diante da cena. Tinha minha câmera fotográfica na mão, mas não consegui tirar a foto. Quando tentei ajudar a mulher ela já estava longe, me deixando a sensação de impotência diante da situação e tristeza por descobrir o mundo que quase sempre se prefere não ver.
Arthur, conte-nos sobre o acidente? Sentiu vontade de desistir, medo, o que pensou no momento?
O acidente foi uma … mas como imprevistos acontecem, foi mais uma coisa que aconteceu. O mais engraçado foi que aconteceu justamente na Turquia, quando eu realmente não esperava. Se houvesse ocorrido na Índia, Líbano ou Síria, eu não me espantaria, pois nesses países eles dirigem como loucos, mas os motoristas e as estradas turcas não eram assim tão ruins. Enfim, foi numa estrada turca, num dia quente, com o sol queimando a minha cara que um caminhão invadiu o acostamento e sem me avisar apenas me pegou por trás e me fez voar diretamente no asfalto.
Confesso que na hora não entendi nada. O impacto foi tão forte que eu só pude sentir algo me empurrando com uma força que até então eu não conhecia. Pisquei os olhos e quando abri já estava no chão todo destruído. Mal conseguia me movimentar, estava todo contundido e com minhas pernas pingando sangue. Olhei à minha volta e comecei a entender o que havia acontecido. Vi minha bicicleta toda destruída, minhas bolsas espalhadas pelo local, sangue no chão e um imenso caminhão parado atrás de mim. Não sabia que eu ficava bravo por aquilo ter acontecido ou eu agradecia ao destino por estar vivo. Acabei agradecendo à vida, mas os dias seguintes não foram fáceis. Fui para o hospital e depois quase não andei por quase uma semana. Mas isso não foi tudo, o impacto não havia apenas me quebrado, mas havia quebrado destruídos alguns de meus equipamentos também. A bicicleta quase virou história, quase, eu consegui recuperá-la, mas não tive a mesma sorte com meu lap-top e com minha filmadora. O prejuízo ficou por minha conta mesmo. O caminhoneiro ficou com um processo que ficou nas mãos do destino. Restou-me a possibilidade de levantar e seguir em frente, com mais uma experiência na bagagem.
Arthur, diga aqui para o Almanaque do Adolescente o que você pensa em fazer daqui para frente?
Esta viagem me ensinou a viver um dia de cada vez, a fazer planos, mas a viver o presente. Isso torna esta pergunta difícil de ser respondida. O que eu farei daqui para frente dependerá de uma série de fatores, no momento minhas energias estão concentradas em escrever um livro sobre esta viagem e ministrar palestras sobre o grande aprendizado que esta viagem me proporcionou.
Então, teremos um livro mais para frente, como forma de ampliar o conteúdo de sua experiência?
Sim, a viagem acabou e sobraram memórias das experiências que vivi. Creio que o conhecimento mais valioso é aquele que se compartilha, assim pretendo trabalhar compartilhando meus aprendizados ao longo destes 3 anos de estrada.
Você comentou que sofreu dois acidentes, um o que ficou internado na Turquia e como foi o outro? Você tinha seguro saúde? Como se virou com hospitalizações e tudo mais?
Eu tive 2 acidentes, um nos Emirados Árabes e outro na Turquia. Em ambos eu tinha um seguro de saúde, mas que eu acabei nem usando nessas situações. No primeiro acidente eu estava de uma van, voltando da embaixada brasileira em Abu Dhabi, quando o veículo capotou. O acidente foi forte, mas escapei com apenas alguns arranhões, assim nem fui para o hospital. O segundo foi um pouco pior, pois um caminhão me atingiu enquanto eu pedalar no acostamento. Fui para o hospital, mas como era a vítima desta acidente, não precisei acionar meu seguro. O maior prejuízo em ambos acidentes, foi o material, pois perdi diversos equipamentos devido a estes acontecimentos e os culpados nunca me pagaram nada, fato um tanto desagradável, mas mesmo assim, levantei e continuei em frente.
Que mensagem você deixaria aqui no Almanaque do Adolescente para os jovens que sonham em realizar uma viagem assim como a sua?
Para aqueles que desejam realizar uma grande aventura, posso dizer para não desistirem de seus objetivos. Para alcançarmos aquilo que queremos devemos ter foco e força de vontade. Obstáculos existem para todos, sem exceção. O importante é saber onde se quer chegar e seguir em frente, ainda que devagar, mas em frente.
Arthur, maravilha o seu relato!
Muito Obrigada e boa sorte com a nova etapa!
Conte com o Almanaque do Adolescente um aventureiro em potencial!
Colaboração: Rosangela Andrade
Pedal na Estrada – Arthur Simões Cardoso
www.pedalnaestrada.com.br
Patrocínio: Bristol-Myers Squibb.
Apoio: Fuji Bikes, Dennova e Base 64, Lobo Biker.
Parceiros Institucionais: Cidade Escola Aprendiz, Instituto Brasil Solidário, Portal do Voluntário e Instituto Presbiteriano Mackenzie.