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Jovens do Rio de Janeiro aprendem a ser chefs

Da primeira turma de formados, 90% estão empregados; além de gastronomia, há aulas de matemática, português e de informática.

Filé mignon, camarão, salmão, doces, quiches e tortas. Estes pratos, além de outras delícias, estão entre as receitas que alguns jovens de baixa renda do Rio de Janeiro dominam. O grupo aprendeu a cozinhar graças ao projeto Cozinhando o Futuro da PUC – RJ em parceria com a ONG SBS (Sociedade Brasileira para a Solidariedade).

O projeto teve início a partir do Programa de Promoção da Inclusão Produtiva de Jovens do Ministério do Desenvolvimento Social e do PNUD, trabalhando com adolescentes de baixa renda recém-saídos da escola. “Os jovens terminam o ensino médio e não estão aptos a nada, não têm acesso à universidade, não têm nível técnico”, lamenta a coordenadora técnica da iniciativa e gerente da SBS, Nancy Tardin.

No total, dos 128 alunos que se inscreveram, 96 chegaram ao fim do curso – algumas desistências se deram porque muitos não podiam pagar o transporte até o local das aulas. Destes, 90% estão empregados. Uma das alunas, conta a coordenadora, tornou-se chef de cozinha de um restaurante no Leblon, bairro nobre do Rio. Outros estudantes estão empregados em redes de restaurantes e fast-food, além dos que resolveram fazer salgados para vender e ou quiseram se aprofundar ainda mais na profissão, se inscrevendo em cursos de gastronomia pelo ProUni.

Hoje, mesmo com o término do convênio com o programa de inclusão produtiva de jovens (que foi de 2006 a 2007), o projeto continua. O foco agora são pessoas entre 18 e 30 anos que não têm perspectivas de emprego ou foram condenadas a penas alternativas pela justiça. Neste novo modelo, as turmas são menores e já se formaram 20 alunos. A partir de agosto, a iniciativa terá novas turmas de pessoas em liberdade condicional, ou que acabam de sair da prisão, totalizando 40 estudantes.

A escolha pela gastronomia, segundo a coordenadora técnica, veio com por conta de um aquecimento desse mercado. O setor, de acordo com ela, tem uma grande demanda por mão-de-obra. Os alunos do “Cozinhando o Futuro” têm aulas por cerca de quatro meses e depois contam com um período em que podem usar a cozinha industrial da ONG para testar receitas. “O nosso curso é de nível excelente”, orgulha-se Nancy, responsável por parte das aulas. Além dela, os futuros cozinheiros têm também como professor o patissier (aquele que faz doces, tortas e similares) francês Gilles Brunet.

Não é só a arte da culinária que os alunos do “Cozinhando o Futuro” aprendem. Além da preparação dos alimentos, eles têm aulas de português, matemática, informática e segurança alimentar, legislação e empreendedorismo. Além de abrir portas para o mercado de trabalho, Nancy diz que o curso também tem papel importante dentro das casas e da comunidade dos alunos. “No início, eles cometem um desperdício muito grande de talos, folhas e cascas. Com o tempo, vão aprendendo a aproveitar estas partes dos alimentos.” Ela ainda destaca que os alunos também descobrem frutas e verduras que não conheciam e que são baratas e de alto valor nutritivo. E não pára por aí: “Eles vão melhorando a postura, a conduta, a higiene pessoal e levam tudo isso para a comunidade”.

Mariana Desidério
da PrimaPagina


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