Setor famacêutico é o único que ainda usa o gás no país, em sprays e ‘bombinhas’ para tratar doenças respiratórias; lei proibirá esse uso.
O Brasil reduziu em 96,5% seu consumo do gás CFC (clorofluorcarbono, um dos inimigos da camada de ozônio) entre 2000 e 2007, indicam dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. A adequação da indústria à política nacional de eliminação do CFC é uma das causas dessa queda. O último reduto de CFC ainda consumido e tolerado no país é a indústria farmacêutica, que fabrica produtos médicos que incluem o gás, como “bombinhas” para asmáticos e sprays, de acordo com cartilha do Ministério da Saúde. O uso nesses produtos, entretanto, também está com os dias contados.
A partir de 2011, produção e importação de medicamentos que contêm CFC estão proibidas por uma determinação da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicada no Diário Oficial da União em 26 de novembro de 2008. O governo federal, grande comprador de medicamentos, já deixou de comprar as versões com CFC desde o ano passado.
Doze medicamentos registrados no país ainda contêm CFC em sua composição, todos empregados no tratamento de doenças respiratórias, como a asma, informa a assessoria de imprensa da ANVISA. Tratam-se das famosas “bombinhas” e sprays que impulsionam fármaco em estado aerossol (intermediário entre o líquido e o gasoso) pelas vias aéreas do paciente e usam o gás, justamente, como propelente (impulsor) do remédio.
Alternativas
“Este medicamento contém substâncias que agridem a camada de ozônio e por isso será substituído. Procure seu médico para orientações”. Essa mensagem deve, obrigatoriamente, constar das embalagens de remédios com CFC comercializados no país desde 31 de julho de 2009, estipulou a mesma determinação da ANVISA que impôs limite para o fim da importação e produção dos medicamentos.
A Agência deu prazo até 31 de dezembro de 2010 para fabricantes regularizarem o registro de seus medicamentos sem CFC usados no tratamento de doenças pulmonares e continuarem no mercado. Mas os pacientes já podem prestar atenção às alternativas disponíveis.
Inalar medicamentos em estado aerossol é mais eficiente no tratamento das doenças respiratórias que receber vacinas ou injeções, esclarece documento intitulado “Estratégia Brasileira de Transição para Eliminação dos Inaladores de Dose Medida (MDIs) com Clorofluorcarbono”, publicado pelo PNUD, pelo IBAMA, pela ANVISA e pelos Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente. O texto aponta que o gás HFA (hidrofluoralcano) é um substituto para o CFC dos medicamentos que não oferece riscos à camada de ozônio – apesar de constar da relação de gases do efeito estufa que contribuem para o aquecimento global, como destaca artigo de pesquisadores da Universidade federal de Minas Gerais.
“Ele, inclusive, é um pouco mais eficiente. A névoa gerada é mais homogênea e a deposição do medicamento é melhor”, explica Ana Luisa Godoy Fernandes, professora de pneumologia da Escola Paulista de Medicina. A assessoria da ANVISA informa que existem oito medicamentos com HFA registrados no Brasil atualmente, mas ressalva que “uma vez que estamos em período de adequação dos produtos, alguns podem estar registrados, mas não necessariamente sendo comercializados”.
Outra alternativa ao CFC e ao HFA são remédios que dispensam substâncias propelentes. O documento cita dois grupos de medicamentos que se encaixam nessa situação: os inaladores de pó seco e os nebulizadores.
Os inaladores de pó seco, segundo o texto, dependem apenas da inspiração dos usuários para adentrar as vias respiratórias, mas “exigem força muscular inspiratória e função pulmonar adequadas, o que limita o seu uso em crianças muito jovens, idosos e pacientes com doença pulmonar grave”.
Já os nebulizadores, também conhecidos como “inaladores”, valem-se de um motor para transformar o remédio líquido em aerossol, “não necessitam de uma manobra respiratória coordenada ou esforço inspiratório grande e, por conseguinte, são bastante utilizados em idosos, crianças e pacientes hospitalizados”, destaca o documento, ressaltando que o formato desses aparelhos (compostos pelo módulo com o motor, o fio que conduz o remédio e a máscara inaladora) os torna “relativamente ineficientes, pesados, incômodos”, além de “consumirem tempo”.
Fábio Brandt da PrimaPagina