
Cai o sol uma vez mais nas lonjuras do mundo daqui…
eu do pátio olho o vulto dele descendo…
Brilhará demais para outros olhos, não para os meus
queimados de tanta luz que vi
Meu povo longe de mim
vai chegando na lembrança para ver comigo o sol se pôr
Pena que você não esteja junto a mim…pena…
No meio da terna sensação, sinto meu velho com a sua mancidez ajudar o sol se pôr
As pessoas que conheço estão por todo lado, dando de beber, falando, rindo…gente simpática essa minha…ninguém diria que pessoas tão doces possam ser tão teimosas…
Lá estão sentados meus parentes
são da banda azul poente
Lá estão sentados os sistemáticos, os cansados, os amados e desamados, os tristes e melancólicos…
Todos eles em círculo na areia…
ouvindo a delícia do som latino
sentido o cheiro da terra macia e morna
Eu assistindo a tudo isso com receio de piscar os olhos
não gostaria de partir agora desse devaneio que é ver o sol se pôr..
Ana Ban*
outubro de 1986
Ana Ban é um pseudônimo