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Unicef denuncia desaparecimentos de crianças haitianas de hospitais

© UNICEF/NYHQ2010-0090/Smeets

Desde o dia 12 de janeiro, após o terremoto que atingiu o Haiti, o país é o centro das atenções do mundo todo. Apesar de o desastre ter afetado milhares de pessoas em grande parte do país, a situação das crianças é a que mais preocupa algumas entidades e organismos internacionais. Segundo noticiou Patria Grande na última sexta-feira (22), o Fundo de Nações Unidas para a Infância (Unicef) denunciou que 15 crianças já desapareceram de hospitais haitianos após o tremor de terra.
A preocupação maior do Unicef é com o tráfico de crianças para o mercado ilegal de adoções, prática que fica ainda mais recorrente depois de catástrofes como a ocorrida no país caribenho. “Registramos cerca de 15 casos de crianças desaparecidas dos hospitais e que não estão com suas famílias atualmente”, afirmou Jean Claude Legrand, conselheiro do Unicef.

Segundo informações de Patria Grande, Unicef explica que redes de tráfico de pessoas aproveitam-se de desastres como o do terremoto no Haiti para sequestrar crianças e tirá-las do país. O organismo internacional também faz um alerta aos governos ocidentais que estão empenhados na adoção acelerada de crianças haitianas.

Para Unicef, antes de agilizar o processo de adoção, é preciso alimentar, abrigar, identificar e verificar se as crianças atingidas pelo terremoto realmente não possuem familiares vivos. E são as crianças as mais atingidas pelo desastre. Além da possibilidade de serem traficadas mais facilmente, ainda têm mais riscos de adquirirem doenças, traumas emocionais e de sofrerem exploração sexual.

Outra situação que preocupa o organismo internacional é a saída ilegal de crianças e adolescentes do país. Segundo informações do jornal Patria Grande, aproximadamente 54 crianças haitianas órfãs – a maioria menor de quatros anos – aterrissaram na semana passada nos Estados Unidos para adoção.

Conforme noticiou o jornal na quinta-feira passada (21), o transporte das crianças foi coordenado por uma missão formada por autoridades da Casa Branca e dos Departamentos de Estado e de Segurança Interna. De acordo com Patria Grande, sete dessas crianças já foram adotadas.

Segundo o jornal, o Departamento de Segurança Interior estadunidense explicou que a adoção acelerada corresponde a um programa de emergência humanitária, o qual permite aos órfãos haitianos permanecerem temporariamente nos Estados Unidos. Para isso, o Departamento outorgou um visto humanitário para que o país norte-americano pudesse recebê-los.

A preocupação maior das organizações internacionais é de prejudicar ainda mais as crianças e os adolescentes haitianos, entregando-os a redes internacionais de tráfico ou adotando aqueles cujos pais estão vivos. Por causa disso, o Unicef segue desaconselhando o processo de adoção acelerada no Haiti.
Karol Assunção/Adital


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