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Haiti ainda tem 1 mi sem casa após tremor

Um ano depois de terremoto que matou 222 mil pessoas, entulhos continuam a bloquer as ruas; projeto do PNUD dará emprego a 6.500

Domeck Prockline, de 40 anos, morava em Bel Air, uma das regiões mais violentas, pobres e cheias de lixo de Porto Príncipe, capital do Haiti. Sua vida tornou-se ainda pior há um ano, em 12 de janeiro de 2010. Um terremoto de magnitude 7,0 na escala Richter matou seu pai e seu irmão (dois dos 222.570 mortos no país, segundo a contabilidade oficial) e destruiu sua casa e outras 188.382, além de prédios públicos, como o palácio presidencial (parte das perdas de US$ 7,8 bilhões sofridas com o abalo, equivalentes a mais que o dobro do PIB haitiano). O Escritório da ONU para Assistência Humanitária logo classificou o tremor como uma das maiores catástrofes já vistas.

Um ano depois, 1 milhão de pessoas permanecem sem moradia, como Domeck — vivem provisoriamente em barracas suscetíveis a tempestades e furacões, comuns no Haiti. A quantidade de escombros que resta sobre as ruas é suficiente para ocupar 8 mil piscinas olímpicas. Boa parte ainda bloqueia as vias de Porto Príncipe, dificultando que a população possa fazer tarefas simples como ir e voltar de casa.

Para enfrentar os problemas, as agências da ONU enviaram missões técnicas logo após o terremoto. Muitos técnicos, funcionários e voluntários permanecem no país. O PNUD mantém parceria com as autoridades locais para restabelecer a capacidade governamental de reconstruir o Haiti — em razão de mortes e migrações, o setor público perdeu 30% de seus servidores.

O PNUD, além de coordenar a atuação de ONGs e agências da ONU, investiu cerca de US$ 61 milhões em projetos no ano passado, a maioria (US$ 32 milhões) voltada a combate à pobreza e reconstrução. Com o PMA (Programa Mundial de Alimentos), a agência criou um programa de frentes de trabalho que contratou 240 mil haitianos e removeu 1 milhão de metros cúbicos de destroços. A ideia é, ao mesmo tempo, gerar renda e ajudar a normalizar o fluxo de veículos e pessoas.

Uma das contratadas é Domeck, que vive em uma tenda com seus dois filhos em Bel Air. Ela faz parte do projeto de dinheiro por trabalho implantado na capital. “O projeto não está apenas me ajudando a cuidar de mim e dos meus filhos, também está diminuindo os riscos de desastres e prevenindo doenças causadas pelo lixo jogado irresponsavelmente”, diz a haitiana.

Para 2011, o PNUD prevê criar 6.500 vagas em 15 bairros de Porto Príncipe a fim de remover entulhos e demolir pelo menos 4 mil casas cuja estrutura está condenada. Devem ser retirados 550 mil metros cúbicos de ruínas; metade do material poderá ser reciclado.

Em parceria com a Organização Internacional do Trabalho e com o UN HABITAT (Programa da ONU para os Assentamentos Humanos), o PNUD desenvolve um programa piloto de promoção de emprego na capital haitiana e na cidade de Leogane. A ideia é gerar renda a partir do treinamento técnico e vocacional em algumas comunidades. Numa segunda fase, a iniciativa vai incentivar a abertura de microempresas e a reforma das casas.

Para este ano, está prevista a limpeza de todos os entulhos de Leogane, a construção de uma empresa de reciclagem e uma de fabricação de blocos feitos com o material reciclado. O programa também prevê capacitar a prefeitura para que possa gerir essas unidades.
Fonte PNUD


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